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Case 05DIA2021—22Mobile

Fazendo os apps do DIA se sentirem em casa

Dois apps do Supermercado DIA, dois pontos de partida bem diferentes. Um era um app de delivery nascido na Rússia que precisava aprender português. O outro era um app de cupons que precisava amadurecer sem nenhuma API nova.

Papel
Especialista em UX/UI Design
Time
DIA, com X5 Group e CWi
Produtos
DIA Express e Club DIA, iOS e Android
Foco
Localização · Pagamentos · UI mobile
Novas telas de endereço, confirmação e erro de CEP

Um app precisava de passaporte e curso de português. O outro precisava de uma repaginada com exatamente as mesmas peças de Lego.

  1. A DIA Express: ensinando um app russo a falar português Tropicalizando um MVP de delivery: pagamento, endereço, palavras e muita empatia. 2,7 → 4,4 · Play Store
  2. B Club DIA: as mesmas peças de Lego, um castelo novo Refazendo o app de cupons sem nenhuma API nova. 1 toque · cupons

Parte A · DIA Express

Ensinando um app russo a falar português

01 Um app com sotaque

Um app de delivery que falava russo

Para lançar seu próprio app de delivery rápido, o DIA fez uma parceria com o X5 Group, empresa da mesma holding de investimentos. O app foi construído sobre a plataforma do Около, líder de mercado na Rússia, e em julho de 2021 o X5 entregou um MVP customizado para o DIA.

Funcionava, mas tinha sotaque. Traduções literais com termos errados, ícones que não diziam nada para quem faz compras no Brasil, uma interface que gerava mais dúvidas do que respostas e um visual que não tinha nada a ver com o DIA.

Telas de endereço, home e checkout do MVP original
Fig. 01De onde partimos: endereço, home e checkout no MVP.
O pacote de ícones importado do MVP russo
Fig. 02Os ícones que vieram com o MVP. Bonitos, só não eram pra gente.

02 Quatro pilares

Tropicalizar, sem quebrar nada

Em agosto de 2021 comecei o redesign e, como a gente dizia internamente, a tropicalização do DIA Express. Quatro pilares guiaram cada decisão.

  1. 01Heurísticas e acessibilidade

    Uma análise heurística completa, com Norman, verificadores de contraste e um pouco de WCAG. Só 34 dos 60 pontos passaram, e 8 nem se aplicavam.

  2. 02Como o DIA se comporta

    As lojas mais novas do DIA eram brancas, cinzas e de vidro, como em Portugal, Espanha e Argentina. O app seguiu esse visual mais sóbrio e global.

  3. 03O jeito da marca no Brasil

    O DIA no Brasil é irreverente e meio engraçado. Tradução literal do russo não deixava espaço pra isso, então as palavras foram reescritas.

  4. 04Benchmark

    O que iFood, Rappi e Daki já faziam bem, adaptado à nossa realidade em vez de reinventado.

A regra era simples: nenhum elemento novo, a não ser que fosse necessário. Abrasileirar o app sem quebrar a estrutura dele. Deu pra fazer isso 100%? Não. Então as entregas foram divididas em fluxos que já existiam, fluxos que já existiam com as informações reorganizadas e funcionalidades novas, mas essenciais.

03 Pagar, sem sofrer

Digitar o cartão toda santa vez

Dois problemas machucavam a jornada mais do que todos os outros: pagar e dizer ao app onde você mora. No MVP, todo checkout levava a uma tela pedindo todos os dados do cartão de novo. Sem carteira, nada salvo. Sem surpresa, muita gente desistia ali mesmo.

A tela de cartão do MVP, exibida em todo checkout
Fig. 03O MVP pedia o cartão completo a cada compra.

Com a chegada de um novo provedor de pagamento, o trabalho se dividiu em três: uma carteira para salvar cartões com o pagamento embutido no checkout, um fluxo de Pix e as partes delicadas de encaixar o Pix num supermercado.

Cadastro de cartão, carteira e checkout com cartão salvo
Fig. 04Cadastro de cartão, carteira e checkout com cartão salvo.
Nenhum app de mercado que olhamos aceitava Pix em pedidos que podiam mudar. O nosso podia. Então lançamos o Pix sem substituições primeiro.

O detalhe do Pix num supermercado: produtos acabam e pedidos mudam. Dava pra devolver uma diferença com um Pix reverso, mas não dava pra pedir que a pessoa pagasse mais. Então o Pix estreou sem substituições, e depois uma regra no back-end garantiu que qualquer substituto oferecido tivesse valor igual ou menor. Na primeira semana, o Pix já respondia por 40% das vendas do app.

Checkout com Pix selecionado e a página de pagamento Pix
Fig. 05Checkout com Pix e a página de pagamento.

04 Onde a gente entrega?

Um mapa do qual não dava pra sair

O fluxo de endereço jogava a pessoa num mapa. A área de cobertura era minúscula, então a maioria caía fora dela e não sabia como sair. Quem conseguia seguir nunca via o campo de complemento, porque endereço russo não tem complemento. As reclamações se acumularam, muita gente desistia nessa etapa, e nosso Tech Lead ainda achou casos em que a API do Google quebrava o CEP, o que dava problema na emissão da nota fiscal.

O endereço no MVP, em um mapa
Fig. 06O fluxo de endereço do MVP: um mapa, uma bandeirinha e pouco mais.

O novo fluxo respeita como os endereços funcionam no Brasil e adiciona validações em texto e visuais pelo caminho, o que também resolveu aqueles problemas técnicos de vez.

Novas telas de endereço, confirmação e erro de CEP
Fig. 07Endereço e confirmação, com o estado de erro de CEP à direita.

05 Ajuda com nome

Prazer, Diana

Muita gente procurava o atendimento, em parte porque coisas básicas, como o estorno de compras no cartão, não estavam explicadas em lugar nenhum. Então o FAQ foi redesenhado em torno de um bot de WhatsApp montado com o CX Manager, com respostas curtas e simpáticas. E ganhou um rosto: a Diana, assistente virtual do DIA, que deixa o pedido de ajuda com menos cara de reclamação.

06 Resultados

De 2,7 para 4,4, em cinco meses

Cada tela foi redesenhada dentro do sistema que o X5 tinha construído, trabalhando como num design system: melhorando o UI kit e os componentes, o app inteiro melhora junto.

Endereço, antes e depois Home, antes e depois Checkout, antes e depois Acompanhamento do pedido, antes e depois
Fig. 08Antes e depois: endereço, home, checkout e acompanhamento do pedido.
2,7→4,4

Nota na Play Store entre agosto e dezembro de 2021. Era a loja de 80% dos nossos usuários.

52/60

Itens de usabilidade aprovados numa nova análise heurística, contra 34 antes. Não é a história de uma UX perfeita, mas de um app russo que o público brasileiro claramente acolheu.

Gráfico da nota na Play Store subindo de 2,7 para 4,4
Fig. 09A nota subindo na Play Store.

O redesign espelhou e traduziu os componentes existentes. Com ele pronto, o passo seguinte era um front-end com personalidade própria, começando por um novo header e footer, um checkout renovado e uma página de cupons.

Home com novo header e footer, checkout e página de cupons
Fig. 10O que veio depois: novo header e footer, checkout e cupons.

Créditos. Projeto de Arthur Duran, com Gustavo Henrique da Silva, Head de Produtos Digitais do DIA; Product Owner Pedro Filgueiras; e Sergey Aikhel, Product Manager do X5.

Parte B · Club DIA

As mesmas peças de Lego, um castelo novo

01 Onde tudo começou

Um app que o pessoal adorava criticar

O Club DIA existe para melhorar as compras nas lojas físicas do DIA, principalmente com cupons de desconto. Depois de muito tempo sem atualizações, as avaliações negativas se acumularam, e viraram uma lista bem sincera do que os usuários precisavam. A empresa também tinha seus próprios planos para o app, então uma reescrita completa do front-end entrou em pauta.

A Karen Colin, especialista em apps do DIA, já tinha feito a pesquisa. Com as descobertas dela e os objetivos do negócio, dei minha primeira olhada nos sistemas e serviços com que a gente ia trabalhar, e comecei a transformar conceitos em wireframes, usando o design system do DIA Express, o app de e-commerce da empresa.

O Club DIA nas lojas de apps: 3,7 estrelas na App Store e 3,2 na Play Store
Fig. 01O ponto de partida, visto pelas lojas de apps.
A avaliação heurística checou 60 pontos em 10 heurísticas. O app passou em 24. Confirmou o que todo mundo já desconfiava.

02 O time

Dez telas viraram cem

O DIA trouxe a CWi para construir o app, e com ela veio um ritmo de verdade, com backlog, sprints e deploys. A Cristiane Butura assumiu o papel de PO, organizou o backlog, escreveu as histórias e conduziu as cerimônias. O Henrique Peter chegou com um olhar novo de UX, e juntos amarramos a lógica de botões, toasts e feedbacks, que existiam, mas ainda estavam bem no começo.

Aí entraram os desenvolvedores Philippe Silveira, Axel Felix Varreira e Andre Ervilha, e o QA Rodrigo Dutra, e as dez telas do começo viraram, mais ou menos, cem. A gente nunca seguiu uma metodologia em linha reta, mas sempre respeitou as cerimônias para revisar e refinar o que tinha construído.

03 Feito para um iPhone 4

Blocos enormes, cinco botões, muita rolagem

O código antigo tinha sido claramente feito para celulares bem menores, tipo o iPhone 4 e 5. Para os padrões de 2022, os ícones e textos pareciam meio gigantes. Os blocos eram tão grandes que a home rolava com só cinco coisas para tocar.

Toda ação abria uma página nova. Tocou num cupom para ver os detalhes, página nova. Tocou numa loja no mapa, página nova. Padrões modernos como drawers e modais não estavam disponíveis na época, então a experiência cansava, que nem entrar num cômodo novo toda vez que você quer fazer uma pergunta.

Home antigaA home antiga do Club DIA
Mapa antigoO mapa de lojas antigo, abrindo uma página nova para cada loja
Fig. 02A home antiga, e o mapa onde cada loja abria uma página nova.

A reescrita tinha quatro objetivos: um painel mais limpo e confortável; uma navegação que combinasse com os celulares de hoje; uma interface alinhada com a marca atual do DIA; e componentes e interações mais modernos. Para chegar lá, nós:

  • Levamos os blocos principais para a zona do polegar, onde é mais confortável tocar.

    Polegar
  • Desenhamos ícones 3D isométricos para dar personalidade às poucas, mas importantes, funcionalidades do app.

    Ícones
  • Alinhamos cores e tipografia com a marca do DIA e suas interfaces globais.

    Marca
  • Usamos menos cliques e mais affordances, com overlays que mantêm você onde estava.

    Menos toques
A nova home dentro da zona do polegar, ao lado dos ícones isométricos das funcionalidades
Fig. 03A nova home, dentro da zona de conforto do polegar, e os ícones isométricos de cada funcionalidade.
Home antiga e nova lado a lado
Fig. 04A home, antes e depois.

04 O quebra-cabeça do cadastro

Um sistema legado que não respondia perguntas

O cadastro antigo pedia muito pouco. Parece gentil, mas significava que as pessoas entravam no app sem os dados necessários para usá-lo, e davam de cara com a parede. Até a loja de cupons, a principal funcionalidade do app, exigia um passo extra que quase ninguém conhecia.

As três telas de perfil que os usuários tinham que preencher antes de usar os cupons
Fig. 05Três telas de "por favor, complete seu perfil" antes de você poder usar os cupons.

A gente queria um cadastro único que liberasse tudo, sem quebrar o sistema atual, sem criar APIs novas e sem prejudicar quem já tinha conta completa ou pela metade. O ideal: a pessoa digita o e-mail e a gente descobre se ela é nova, cadastrada ou um usuário legado com dados faltando.

O problema: o sistema, o Hybris, não conseguia consultar uma conta sem um e-mail e uma senha. Então a gente usou a criatividade. Mandávamos o e-mail com uma senha errada de propósito, e líamos a resposta:

  1. ACadastrado, senha errada

    Uma conta existente: pedir para a pessoa entrar.

  2. BUsuário não existe

    Alguém novo: dar as boas-vindas.

  3. CCadastrado, dados não batem

    Uma conta legada: completar com os dados novos.

O novo fluxo de cadastro unificado
Fig. 06O novo cadastro coleta tudo logo de início, então o app inteiro já vem liberado. Colocamos bastante feedback e sinalização pelo caminho.

05 Economizar pode ser divertido

Uma página de economia com motivo para existir

O antigo "Minhas Economias" separava a economia mensal e a anual em páginas diferentes, quase sempre vazias, e não dava a ninguém um motivo para economizar mais. O novo deixa a pessoa definir metas, mostra números grandes e simpáticos, e traz alguns gatilhos de gamificação para manter o embalo.

Páginas Minhas Economias, antiga e nova
Fig. 07De duas páginas vazias para uma página com metas.

06 Nem tudo são flores

Algumas ideias ficaram pelo caminho

Um sistema rígido, com pouco espaço para mudança, trouxe bloqueios de sobra. Eu queria diferenciar os cupons por cor de categoria, por exemplo. A página de cupons final ficou bem mais simples que a primeira proposta.

Mesmo assim, usamos o espaço que tínhamos para trazer componentes que deixaram tudo mais fluido: modais, toasts e um menu que desliza por cima da home.

A primeira proposta da página de cupons ao lado da versão que foi ao ar
Fig. 08A página de cupons que eu propus, e a que foi ao ar. Às vezes a gente ganha, às vezes a gente aprende.
Um modal, um toast de confirmação e o menu da home
Fig. 09Um modal, um toast de confirmação e o menu da home.

07 A cara nova

Um castelo novo, com as mesmas peças

Sem APIs novas, a missão era montar um castelo mais bonito, moderno e fácil de usar com exatamente as mesmas peças de Lego. Foi cheio de complicações, e os stakeholders ficaram felizes com o resultado. Eles já estavam planejando como usar o espaço novo, como a área de banners, e mais jeitos de melhorar a experiência na loja.

Nova home Novo mapa de lojas com um modal inferior Nova página Minhas Economias Nova página de cupons com ativação em um toque
Fig. 10Uma home com todas as funcionalidades ao alcance; um mapa que mantém seus olhos na localização; uma página de economia mais limpa e gamificada; e cupons que você ativa com um único toque.

Créditos. Projeto de Arthur Duran, com Gustavo Henrique da Silva, Head de Produtos Digitais do DIA; pesquisa de Karen Colin; PO Cristiane Butura; UX Henrique Peter; desenvolvimento de Philippe Silveira, Axel Felix Varreira e Andre Ervilha; QA de Rodrigo Dutra.

Dá um oi. Prometo não pensar demais na resposta.