01 Um app com sotaque
Um app de delivery que falava russo
Para lançar seu próprio app de delivery rápido, o DIA fez uma parceria com o X5 Group, empresa da mesma holding de investimentos. O app foi construído sobre a plataforma do Около, líder de mercado na Rússia, e em julho de 2021 o X5 entregou um MVP customizado para o DIA.
Funcionava, mas tinha sotaque. Traduções literais com termos errados, ícones que não diziam nada para quem faz compras no Brasil, uma interface que gerava mais dúvidas do que respostas e um visual que não tinha nada a ver com o DIA.


02 Quatro pilares
Tropicalizar, sem quebrar nada
Em agosto de 2021 comecei o redesign e, como a gente dizia internamente, a tropicalização do DIA Express. Quatro pilares guiaram cada decisão.
- 01Heurísticas e acessibilidade
Uma análise heurística completa, com Norman, verificadores de contraste e um pouco de WCAG. Só 34 dos 60 pontos passaram, e 8 nem se aplicavam.
- 02Como o DIA se comporta
As lojas mais novas do DIA eram brancas, cinzas e de vidro, como em Portugal, Espanha e Argentina. O app seguiu esse visual mais sóbrio e global.
- 03O jeito da marca no Brasil
O DIA no Brasil é irreverente e meio engraçado. Tradução literal do russo não deixava espaço pra isso, então as palavras foram reescritas.
- 04Benchmark
O que iFood, Rappi e Daki já faziam bem, adaptado à nossa realidade em vez de reinventado.
A regra era simples: nenhum elemento novo, a não ser que fosse necessário. Abrasileirar o app sem quebrar a estrutura dele. Deu pra fazer isso 100%? Não. Então as entregas foram divididas em fluxos que já existiam, fluxos que já existiam com as informações reorganizadas e funcionalidades novas, mas essenciais.
03 Pagar, sem sofrer
Digitar o cartão toda santa vez
Dois problemas machucavam a jornada mais do que todos os outros: pagar e dizer ao app onde você mora. No MVP, todo checkout levava a uma tela pedindo todos os dados do cartão de novo. Sem carteira, nada salvo. Sem surpresa, muita gente desistia ali mesmo.

Com a chegada de um novo provedor de pagamento, o trabalho se dividiu em três: uma carteira para salvar cartões com o pagamento embutido no checkout, um fluxo de Pix e as partes delicadas de encaixar o Pix num supermercado.

Nenhum app de mercado que olhamos aceitava Pix em pedidos que podiam mudar. O nosso podia. Então lançamos o Pix sem substituições primeiro.
O detalhe do Pix num supermercado: produtos acabam e pedidos mudam. Dava pra devolver uma diferença com um Pix reverso, mas não dava pra pedir que a pessoa pagasse mais. Então o Pix estreou sem substituições, e depois uma regra no back-end garantiu que qualquer substituto oferecido tivesse valor igual ou menor. Na primeira semana, o Pix já respondia por 40% das vendas do app.

04 Onde a gente entrega?
Um mapa do qual não dava pra sair
O fluxo de endereço jogava a pessoa num mapa. A área de cobertura era minúscula, então a maioria caía fora dela e não sabia como sair. Quem conseguia seguir nunca via o campo de complemento, porque endereço russo não tem complemento. As reclamações se acumularam, muita gente desistia nessa etapa, e nosso Tech Lead ainda achou casos em que a API do Google quebrava o CEP, o que dava problema na emissão da nota fiscal.

O novo fluxo respeita como os endereços funcionam no Brasil e adiciona validações em texto e visuais pelo caminho, o que também resolveu aqueles problemas técnicos de vez.

05 Ajuda com nome
Prazer, Diana
Muita gente procurava o atendimento, em parte porque coisas básicas, como o estorno de compras no cartão, não estavam explicadas em lugar nenhum. Então o FAQ foi redesenhado em torno de um bot de WhatsApp montado com o CX Manager, com respostas curtas e simpáticas. E ganhou um rosto: a Diana, assistente virtual do DIA, que deixa o pedido de ajuda com menos cara de reclamação.
06 Resultados
De 2,7 para 4,4, em cinco meses
Cada tela foi redesenhada dentro do sistema que o X5 tinha construído, trabalhando como num design system: melhorando o UI kit e os componentes, o app inteiro melhora junto.




Nota na Play Store entre agosto e dezembro de 2021. Era a loja de 80% dos nossos usuários.
Itens de usabilidade aprovados numa nova análise heurística, contra 34 antes. Não é a história de uma UX perfeita, mas de um app russo que o público brasileiro claramente acolheu.

O redesign espelhou e traduziu os componentes existentes. Com ele pronto, o passo seguinte era um front-end com personalidade própria, começando por um novo header e footer, um checkout renovado e uma página de cupons.

Créditos. Projeto de Arthur Duran, com Gustavo Henrique da Silva, Head de Produtos Digitais do DIA; Product Owner Pedro Filgueiras; e Sergey Aikhel, Product Manager do X5.













